12/15/19

Irmã Dulce dos pobres






Boa noite , atendendo a sua solicitação sobre este email , depois de correções de erros de digitalização: Em 1983, chegando a Salvador com um familiar procedente do interior muito doente, com suspeita de tuberculose , vomitando muito sangue, o qual foi rejeitado por um hospital público especializado nesse mal. Depois de várias tentativas de internamento em hospitais publico, entramos em pânico. Sem ter para quem apelar depois de recorrer a tudo e a todos, sem alternativas, já dispostos  a retornar a nossa cidade com paciente sufocando com o sangue expelido dos pulmões . No desespero voltei aquele hospital público para onde tínhamos levados inicialmente , no bairro da Caixa D'água, numa atitude de desespero invadi o hospital e procurei o médico plantonista , puxei-o pelo braço e disse Dr.  o senhor tem obrigação de ao menos  dá uma olhada no doente  e  nos dizer o que fazer com ele . Então, felizmente o médico plantonista demonstrou ser um profissional compreensível e foi até a ambulância onde se encontrava meu sobrinho e viu o quadro em que ele se encontrava. E me levando novamente para o interior da casa de saúde me mostrou como se encontravam as enfermarias lotadas de pessoas em estado grave , uma imagem desoladora em que faltavam recursos mínimos para os que lá já estavam. Fiquei chocado com o que me mostrou . A carência era tão gritante , com pacientes terminais de tuberculose que me pareceu faltar até um mínimo de higiene. Eu lhe pedi desculpas pela minha atitude desesperada . È que eu interpretei que o profissional não internou o meu doente por má vontade e negligência.Então o médico compadecido me disse: por que o senhor não fala com a Irmã Dulce?  Talvez ela possa lhe ajudar.  E me deu o telefone da religiosa.  Então liguei de um orelhão próximo ao hospital onde nos encontrávamos . A Irmã atendeu . Ela pessoalmente .  A voz dela chegou aos meus ouvidos como uma serenidade tal que senti a sensação de que aquele som era muito mais que uma voz humana. É difícil descrever a paz que invadiu meu ser. A sua voz era portadora de vida , força , muita paz e esperança. Então ela me fez conduzir a pessoa  a sua casa Santa . recebeu-nos e fez questão de além do acolhimento nos  apresentar suas instalações humildes mas dignas.Internou o meu sobrinho que recuperou a saúde e alguns dias depois teve alta . A presença fisica dela, a sua voz , era como se fosse o primeiro remédio que devolvia força , paz e esperança a seus socorridos . Aquele primeiro e único contato com ela, quando ainda ninguém cogitava a sua partida desse mundo nem a sua canonização me marcou para sempre . Sempre que tinha a oportunidade relatava aos nosso parentes e amigos ,  com essa sensação espantosa  que tento descrever agora. Obrigado Irmã Dulce . Deus lhe pague. Obrigado por você existir. Primeira. Foto anexa sou eu, o remetente. Laurentino Freitas Azevedo, professor, 72 anos. Rua ainda Cury, 266, Ipirá, Bahia. Segunda foto anexa: Manoel Oliveira Azevedo. O então paciente, reside também e Ipirá, é servidor público.