10/29/20

introdução ao Bog



 







Estimulado por amigos a compartilhar conhecimentos e informações valendo-me deste moderno e democrático meio de comunicação: o “blog”, jornal eletrônico, hoje ao alcance de milhões de pessoas no mundo inteiro, inicio aqui a minha modesta, mas pertinente participação nas discussões de variados temas de interesse geral.

Se me perguntarem se terei um tema preferido ou uma linha de pensamento a adotar, a “priori”, direi que não. Conhecer, discutir e informar é tudo o que proponho. Entretanto, valores humanísticos, tais como: solidariedade, cooperação, colaboração e ética, entre outros valores que considero nobres, nortearão nossas conversas. O nosso lema é “socializar o saber para democratizar o poder”.

Agradeço, desde já, aos administradores do site Ipirá Negócios por nos apoiar e pelos relevantes serviços que tem prestado a Ipirá e região, disponibilizando oportunidades e democratizando informações.

24 comentários:

  1. Salve salve o nosso política-ecológica-pedagógica e matemática-financeiramente correto,LAURENTINO!!Bem vindo a esse maravilhoso clã dos blogueiros.Eu já estava pra cortar os pulsos de tanto tédio.Uma cidade com mais de 60 mil habitantes sem um jornal diário,mas a chegada deste site me salvou da lâmina.Muito bom nos reencontrarmos, senti muita falta da sua conversa sempre mediadora,sábia e ponderada.
    Te desejo sorte.
    Até breve.

    Responder
    1. Parabens pela sua participaçao.

      Gostaria de ler o artigo que vc escreveu sobre o apoio do governo ao artesanato de couro em Ipirá.
      Pq nao apresenta logo? tá escondendo?

      Ariana

      Responder
      Respostas
      1. Obrigado, espero corresponder as expectativas de todos

      2. Pois bem . Estude, aprenda, apreenda e se delicie se for cspaz

        Excluir
    2. Caro colega(tanto de economia como de professor e ainda de partido politico),
      É importante que na internet tenha comentarios de uma pessoa de muita inteligencia e conhecimento igual a voce.
      Abraços
      Davi Ambrosio

      Responder
    3. Companheiro Laurentino,

      Fiquei feliz ao saber que os seus comentários, que eu adoro ouvir, serão divulgados nesse blog. É muito importante ter pessoas lúcidas como você participando de discussões nessa ferramenta digital. Lerei e postarei comentários sempre que possível.

      Sucesso.

      Eugênio colonnezi

      Responder

    terça-feira, 6 de maio de 2008

    A INTERVENÇÃO DO GOVERNO WAGNER NA PRODUÇÃO DE COURO DE IPIRA(Parte 02)

    É comum se ouvir de empresários bem sucedidos que, se o governo não atrapalhasse as atividades empresariais já estaria ajudando muito. Este é um pensamento com o qual não concordamos. Não, porque ele é a essência do liberalismo econômico em sua origem. Recordo que na pré-Revolução Industrial, um cidadão escocês chamado Adam Smith o pai do liberalismo econômico, já dizia em sua famosa obra “A Riqueza das Nações”, que: “o individuo ao buscar realizar seus próprios interesses, estará realizando sem saber, o interesse de toda sociedade”. Essa frase ficou conhecida mundialmente como a “metáfora da mão invisível” e foi apropriada por teórico e políticos, para nortearem suas ações e fundarem a ideologia do estado-minimo e da não-intervenção do Estado na vida econômica das nações capitalistas.

    No entanto, a trajetória histórica, depois de mais de dois séculos, mostrou que o liberalismo e sua ideologia do estado-mínimo gerou exclusão e miséria por toda parte. Para que haja inclusão social e econômica daqueles que estão vivendo á margem do desenvolvimento ou na informalidade, a intervenção do poder público é decisiva. É forçoso o reconhecimento de que se deixado à própria sorte, os pequenos empreendedores serão devorados pela força avassaladora do grande capital.

    Até que o capitalismo se mostrou eficiente na geração e concentração de riquezas. Porem do lado da distribuição, que deveria ser o seu primeiro objetivo foi um desastre social. Portanto, se os pequenos produtores não se organizarem, de forma cooperativa e solidária, com o apoio do governo e da própria sociedade civil, perderão seu espaço heroicamente conquistado no mundo dos negócios.

    A produção manufatureira de obras de couro em Ipirá é uma produção espontânea que demonstra a capacidade criativa de homens e mulheres inspirados na confiança no trabalho honesto. Há quase um século, essa comunidade criativa (originária de povoados e comunidades rurais) produz para atender a demanda de produtos úteis e necessários a cada época de sua existência. Primeiro, fornecendo roupa e artefatos de couro para os vaqueiros e suas montarias. Agora, reafirmando a sua ilimitada capacidade de adaptação aos novos tempos, produz obras de couro mais sofisticadas que atende não mais as necessidades dos antigos clientes, mas às pessoas comuns e até mesmo às elites, uma vez que tem capitado as tendências da moda, produzindo bolsas, cintos, calçados etc para cavalheiros e damas do povo e da alta sociedade, conquistando mercados em feiras-livres e shopping centers em quase todos os grandes centros urbanos nacionais e até no exterior.

    Daí a importância da intervenção positiva do governo para reduzir a assimetria do poder econômico. Entretanto qualquer intervenção do poder publico nas atividades produtivas de artefatos de couro de Ipirá precisa ser estudada e avaliada por critérios econômicos, sociais e culturais para que não venha produzir efeitos contrários ou inversos aos desejados. É preciso conhecer esse processo produtivo a fundo.

    Aos observadores mais atentos dessa atividade não pode escapar certas peculiaridades e características que lhes são próprias. Parece até que a Revolução Industrial, aquela que ocorreu na Europa no século XVIII, está chegando aqui neste momento. As relações de produção, especialmente as relações de trabalho, são as mais precárias, conservando apesar do tempo decorrido seus traços contraditórios e conflitivos. Lá na Inglaterra, há dois séculos, os trabalhadores trabalhavam mais de quinze horas diárias. Não tinham nenhum direito trabalhista e previdenciário. Homens, mulheres e crianças eram explorados igualmente. A divisão do trabalho e a linha de montagem se estabeleceram para mudar todo o processo de produção. O artesanato praticamente desapareceu e os artesãos que tiveram mais sorte se tornaram operários, mas a maioria deles foi excluída, pois se tornaram inúteis ao novo sistema.

    Aqui em Ipirá, em grande parte das “industrias de fundo de quintal”, que alguns insistem em chamar isso de artesanato, ocorre o mesmo. Lá pela ganância de acumular capital. Aqui pela necessidade de continuar uma atividade de baixa produtividade, pela falta de recursos para adotar métodos produtivos e tecnológicos mais modernos existentes no mercado, o que coloca estes pequenos produtores em atitudes defensivas, mesmo que isso signifique a mais cruel exploração e a mais acirrada e darwiniana competição entre eles. Este é o custo pago por todos os excluídos do mercado oficial para continuar existindo. Mal assim, porém as coisas sempre podem ser piores para eles. Não ter o que fazer para conseguir pequenos rendimentos é ainda mais doloroso e todos sabem disso muito bem.

    Como já dissemos, por mais nobres que sejam as intenções de uma intervenção governamental nesse processo ela deve ser bem criteriosa. Lembro aqui, a propósito, aquela estória do homem que ao ver um peixinho se debatendo entre pedras de uma pequena correnteza foi socorrê-lo. Pegou o animalzinho aquático, tirou-o da água, mas, logo depois percebeu que o peixinho estava morrendo em suas mãos por falta de oxigênio. Pois bem, se não agir com competência neste ambiente produtivo de obras de couro em nosso município, em lugar da pretendida boa ação, como fez o homem que queria salvar o peixinho, pode-se estar asfixiando os pequenos empreendedores.

    A pequena produção manufatureira desse segmento, com grande freqüência, ocorre literalmente em fundo de quintal. A primeira pergunta a se fazer nesse caso, em meu entendimento, é: por que elas funcionam nesses locais? A primeira resposta é bem obvia: Os donos não têm condições de possuir instalações mais adequadas. A segunda, pode não ser tão clara assim para os que não conhecem bem o processo. Vou arriscar um palpite para provocar uma discussão: será que não é por medo do governo? Medo da fiscalização do poder publico? Medo de pagarem impostos e ter que cumprir as obrigações trabalhistas e previdenciárias?

    Soube de um caso em que o proprietário contratava menor de idade para trabalhar lá no fundo da casa escondido, embora houvesse espaço na frente de sua residência.

    Nesse “submercado", se tiver que pagar impostos, cumprir obrigações sociais e trabalhistas, os proprietários fecharão as portas, perdendo o próprio emprego e o de seus comandados.

    Esse produtor, como muitos outros, talvez não aceite a principio se incorporar ao “parque industrial” que o prefeito Diomario reivindicou como ajuda do estado, para oferecer aos pequenos empreendedores do ramo. Acho que todos estão de acordo com essa justa solicitação e com muitas outras complementares. Por exemplo, já que não se pode pedir anistia de obrigações trabalhistas por ser injusta com os trabalhadores, que se exija anistia fiscal para esses produtores durante o tempo necessário para que os mesmos possam se estruturar. Afinal de contas, concederam anistia desse tipo para a industria de calçados Paquetá. Essa industria do Rio Grande do Sul impôs essa condição para se instalar aqui e a obteve, alem do terreno terraplenado. Dizem que até galpões conseguiu. As industrias forâneas que sob o argumento de descentralização industrial obtém esse tipo de ajuda publica, além de reduzir seus custos ficam livres para migrarem para outras regiões quando não mais lhe for conveniente permanecer na comunidade, pois os terrenos e os galpões onde funcionam não lhe custaram nada. Estas são as chamadas industriam itinerantes. Já os pequenos empreendedores desta terra jamais poderão fugir quando os negócios não estiverem mais dando lucro.

    Alem do “parque industrial” pleiteado e da anistia fiscal é imperativo que se faça à inclusão desses trabalhadores autônomos de maneira ponderada. Nesse sentido, a educação e a formação profissional devem ser tratadas como questões centrais.A capacitação técnica e administrativa é uma necessidade imediata para sua inclusão no mercado formal. Credito mais barato para todos e doação de equipamentos para os “nanos” produtores são ajudas indispensáveis. Mas tudo isso só fará sentido se for acompanhado por campanhas de conscientização e muito esforço contínuos, a fim de garantir o mínimo de sucesso dessa intervenção.

    Concomitantemente àquelas ações é também conveniente pensar-se na organização da produção. Talvez a organização em cooperativas de produção seja a melhor, embora possa se examinar outras formas organizativas. O grande desafio da organização, seja ela em cooperativas, em grupos de produtores, associações ou até mesmo em empresas mercantis, é conseguir-se apresentar significados tangíveis, imediatos que estimule a mudança do processo produtivo de individualista para um colaboracionista ou da concorrência desmedida para a cooperação solidária que soma forças e competências dos produtores para enfrentar os desafios impostos pelo mercado.

    Se você leu este ensaio de discussão, dê sua opinião sobre a pretendida intervenção do governo nesse setor produtivo de Ipirá!



    Obrigado.


    LAURENTINO FREITAS AZEVEDO

    PROF.
    ECONOMISTA
    COOPATIVISTA

    6 comentários:

    1. Quer dizer que a fábrica dos gaúchos além de encontrar aqui um verdadeiro solo fértil de mão de obra barata,o governo ainda abriu as pernas concedendo anistia de impostos pela sua instalação...
      Conta mais,Laurentino.Daqui a pouco eu vou começar a entender uma coisa que eu sempre tive vontade de saber:Por que algumas pequenas empresas de Ipirá vivem como reféns dos agiotas.
      Mas vamos por partes,tal e qual o esquartejador.Primeiro a questão do couro que é muito interessante e eu to começando a assimilar.Acho que seria interessante o incentivo do governo, não só com relação a indústria do couro mas extensivo a todas a empresas.
      Um abraço e até a próxima.

      Responder
    2. 1207muito bem luarentino, vc como sempre colocando as pessoas a pensarem. eu mesma, ao ler este artigo fui instigada a pesquisar mais sobre a historia da economia mundial. é importante sua avaliaçao quanto as mudanças ocorridas. realmente os presupostos teoricos de Adam Smith, foram bastante importantes naquela epoca, mas já nao sao mais recomendado para os dias de hoje, quando os monopolios e oligopolios tomaram conta da economia mundial.

      Responder
    3. Decorrido tanto tempo e que escrevi esse artigo ao revisitá-lo me emociono com uma competência intelectual que está se esvanecendo por falta de exercío.

      Responder
      Respostas
      1. Há meses não escrevo nem posto comentários e muito menos algum produção literária. Mesmo escritos mínimos como o meu depoimento sobre a irmã Dulce solicitado por um canal de televisão de nosso Estado e enviado por email fiz sua postagem. Espero então retomar o hábito de escrever e publicar toda as minhas reflexões escritas a partir de hoje.

    4. Este comentário foi removido pelo autor.

      Responder
    5. Sinto falta do intelecto pujante em idéias e veloz em raciocínio de certa fase da minha vida. Revendo trabalhos intelectuais produzidos em algumas horas de atividades, percebo claramente o quanto me faz falta aquela força da mente turbinadora e coordenadora do pensamento criativo e sua manifestação prática que resulta em produções intelectuais significativas em qualquer campo do conhecimento.

      Revisitando postagens do meu jornalzinho eletrônico chamado Blogger ou simplesmente Blog tive a grata surpresa de me deparar com uma boa produção escrita a pedido de uma leitora, sobre uma situação concreta onde mobilizei um bom cabedal teórico e confrontei com um caso prático que resultou num trabalho de densidade intelectual do qual só agora percebo o seu valor.
      Passados 12 anos o resultado da análise ainda continua válido para nortear a atividade produtiva focada naquela época apesar das naturais mudanças ocorridas mundo dos negócios.
      Vejo também, com certo pesar, que à medida que envelhecemos, declinam as forças físicas e o intelecto. Este talvez em maior intensidade e rapidez.

      É vida que segue e ainda bem que ela está seguindo.graças a Deus por ser assim.
      Obrigado Deus pelo período da vida em que eu tinha potencial de fazer muito. Perdão por não ter aproveitado todo esse poder de realização para fazer mais.
      Boa noite.

      ResponderExcluir

Proposta do autor.