Queriam nos mandar para brigar na guerrilha do Araguaia para enfrentar os
guerrilheiros de lá treinados pelos "comunistas". Que loucura. Treinavamos
sobrevivência na selva , um ovo cozido única refeição em dois dias. Correndo
nas matas como uns doidos. Pulando dos QT(caminhões QT, qualquer terrono) a 40
e até 50 km por hora, um fuzil FAL (fuzil automático leve, 5 kg), uma faca de
campanha para sangrar guerrilheiros adversários e muito ódio do "inimigo".kkk
Capacete de aço sobre capacete de fibra, cantil de alumínio, cinto com
cartucheira e porte carregador com. Tinta cartuchos e balas de fuzil , FAL-
fuzil automático leve, pesava pro nomeadamente 5 kg. Mochila nas costas, com
lona de barraca de campanha, um saco de dormir de lona, uma muda de roupa que
nunca usei durante os oitos dias de treinamento, duas cuecas samba canção, que
não me lembro de ter trocado pois quase não dormiamos. Quando acampávamos,
acordavamos no meio da noite com o acampamento sendo tomado de assalto por
guerrilheiros de outros batalhões e tínhamos que levantar acampamento as
pressas e sair correndo. Era preferível bivacar, ou seja não armar barracas e
ai dormiamos dentro de um saco de dormir, também de lona. Na última noite me
lembro que quando saí de dentro do saco de dormir, ao levantá-lo do chão
percebi que havia dormido em cima de uma cobra coral a qual estava toda
esmagada, para minha sorte, pois se estivesse viva poderia ter me picado.
Nunca esqueci esdta cena. Quando Mostrei a cobra para os meus vizinhos de
infortúnio, eles fizeram a maior gozação da minha cara de horror, pois tenho
muito medo de cobra. No Município de Itororó exercitando desta feita uma
guerra convencional. Subiamos Serra experimentando não mais balas de festim
mas balas reais e granadas de verdade lançadas por morteiros de 80 mm. Sob uma
chuva de tiros de canhões e morteiros enfrentando o matagal, partes
remanecentes da Mata Atlântica. O pior foi foi enfrentar um capim que chamam
de tiririca que corta igual â navalha. Muitos tiveram cortes profundos nocorpo
com perda de muito sangue. É que somos caatingueiros e não conheciamos a
vegetação da Mata Atlântica e pagamos muito caro por não conhecermos. Diziam
para nós que nosso equipamentos pesavam apenas 17 kg. Porém quando tínhamos
que atravessarmos riachos ou ribeirões cheios com perseguindo ou sendo
perseguidos por nossos "inimigos", ao chegarmos na outra margem desses cursos
d'água parecia que o peso era de uma tonelada. Coturnos e calça de brim
v.o.(verde oliva) cheios d'água ,era horrivel Tudo isso e muito mais me fez um
homem fisicamente forte mas descuidado das emoções? Talvez não. Acho que tive
força para vencer algumas peripécias que experimentei na vida, muito
fortalecido por estas outras experiências penosas e dolorosas que passei na
minha vida de jovem entusiasmado e afoito. Como, por exêmplo, quando um
sujeito que nunca soube quem era disparou cinco tiros de revólve em mim.
Consegui me livrar apenas me protegendo circulando em torno do fusca e o
meliante estava conduzindo, em plena Avenida Getulio Vargas em Feira de Santa,
numa boca de noite. Interessante é o fato de nunca ter visto antes aquele
indivíduo, tampouco consegui reencontrá-lo depois. Poderia ter me queixado à
polícia e ter preso o criminoso, mas não o fiz. Nunca falei sobre esse epsódio
com ninguém, nem mesmo em minha casa com a minha companheira, pois para mim
aquele era um fato bobo que de mim nem de ninguém merecia a consideração.
Depois narrarei outro acontecimento ocorrido na que mesma cidade onde morei e
nasceram minha duas primeiras filhas.
10/19/20
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